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Fuja das tarifas desnecessárias!

por Sylvio Micelli — última modificação 28/04/2008 06:35 Diário do Comércio/SP
 
Nesta semana entram em vigor as novas regras para cobrança de tarifas bancárias para pessoas físicas estabelecidas pelo Banco Central (BC). A idéia é garantir transparência na cobrança e também permitir que o consumidor compare os bancos, evitando custos desnecessários ou desconhecidos. Mas você tem noção de quanto gasta anualmente com serviços bancários? Sabe quanto as tarifas de cartão de crédito, cheque especial e conta-corrente pesam no seu orçamento familiar e como fazer para reduzi-las?

Parece óbvio, mas quase ninguém faz as contas ou sabe quanto dinheiro vai embora assim. Os especialistas ensinam: o primeiro passo para diminuir esses custos é saber quanto se gasta com cada um dos serviços.

É trabalhoso, mas vale a pena fazer as contas. De acordo com a última Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os serviços bancários custam, em média, R$ 145,20 por ano para uma família brasileira. Para aquelas que ganham cerca de R$ 3 mil, o custo é de R$ 221,40 anuais e, para famílias que têm renda domiciliar acima de R$ 6 mil, o peso das tarifas é de, no mínimo, R$ 957,60 anuais.

Comece pelo cartão

Por isso, é hora de repensar se você realmente precisa pagar tanto. Um bom começo é eliminar a anuidade do cartão de crédito. Hoje só paga essa despesa quem não reclama na administradora, diz o professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Ricardo Araújo. As operadoras de cartão já estão se acostumando a cortar esse item da receita e algumas delas até anunciam que não cobram anuidade de seus clientes, afirma o professor.

Em seguida, faça uma lista com cada item que costuma pagar. Se tiver um pacote tarifário no banco, releia o contrato ou peça para ver os serviços que estão incluídos e depois compare com o que realmente costuma usar mensalmente. "As pessoas se surpreendem com o que pagam sem nem mesmo usar ou precisar", afirma a coordenadora institucional da associação de consumidores ProTeste, Maria Inês Dolci. Como exemplo, ela cita os talões de cheque. "A maioria das pessoas paga para ter dois talões por mês, mas mal usa um. Muitos também pagam para tirar 20 extratos por mês e só acompanham a conta pela internet." Portanto, afirma, esses gastos podem ser cortados.

Aproveite a internet

Se você tem acesso fácil à rede de computadores pode perfeitamente eliminar o recebimento de extrato pelo correio e a retirada, às vezes excessiva, do documento pelos terminais de auto-atendimento do banco.

Na hora de fazer saques, recomenda Maria Inês, por que não tirar mais dinheiro de uma única vez em vez de pegar pequenas quantias toda semana? A instituição financeira não cobra por quantidade de dinheiro retirada e sim por operação efetuada.

Outra possibilidade, afirma a diretora de estudos e pesquisas do Procon de São Paulo, Valéria Rodrigues Garcia, é verificar se pode trocar sua conta-corrente tradicional por uma conta salário, que tenha apenas cartão de débito. Mas isso, é claro, vai depender de quanto você usa os serviços do banco. "De maneira geral, as pesquisas do Procon mostram que os pacotes tarifários saem mais barato do que pagar as tarifas avulsas. Mas isso depende da utilização de cada correntista. Além disso, para saber qual pacote é melhor para você, é preciso saber direitinho como costuma usar sua conta-corrente", diz.

E, nesse caso, vale a pena dar uma olhada nas novas regras criadas pelo Banco Central no último mês de dezembro e que entrarão em vigor a partir desta quarta-feira, dia 30. Há serviços gratuitos e alguns foram ampliados (veja tabela) . Entre eles estão o cartão de débito e dez folhas de cheque por mês para cada correntista. Se você só usa o que está nesse chamado pacote de serviço essencial, não há necessidade de manter o pacote que você paga atualmente para o banco.

Informe-se

Outros 20 serviços (com 31 tarifas), chamados pelo Banco Central de prioritários, agora têm nomenclatura padronizada e podem ter seus preços comparados em um site da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban): www.febraban-star.org.br . Lá você descobre, por exemplo, que o pacote padrão, com confecção de cadastro, oito saques mensais, quatro extratos mensais, entre outros serviços (veja tabela) do Banco Mercantil custa R$ 9, enquanto no Citibank ele sai por R$ 44 por igual período.

Pela regra do Banco Central, há, ainda, os serviços especiais e os diferenciados. Os primeiros são relacionados a normas específicas, como crédito rural e imobiliário, conta simplificada e conta salário. Já os diferenciados são dissociados da movimentação da conta-corrente e da poupança, como aluguel de cofre, por exemplo.

No site da Febraban, você pode ver quanto custam todos os serviços do seu banco e comparar cada uma das tarifas com as outras instituições. É trabalhoso, mas vale a pena conferir, pelo menos o que mais se usa. O resultado você percebe no bolso imediatamente.