O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva afirmou em entrevista à TV Brasil que,
se a mudança do fator previdenciário for aprovada no
Congresso por um acordo entre os líderes partidários, ele
não vetará a proposta. "Se for aprovado no Congresso um
acordo entre os líderes, certamente que não vetarei", disse
Lula na entrevista, exibida na quarta-feira à noite.
Logo depois,
entretanto, Lula fez algumas ponderações. Disse que o
Ministério da Fazenda está discutindo o projeto com a Câmara
dos Deputados "para mostrar o que isso implica no custo da
Previdência".
"O governo não quer
dar mais ou não quer dar menos, o governo quer fazer aquilo
que é possível fazer. Se temos uma arrecadação para a
Previdência Social e você aprova uma coisa que significa
aumentar o custo da Previdência Social, você tem de se
perguntar sempre de onde se vai tirar o dinheiro para pagar.
Essa é uma pergunta que todo mundo tem que fazer, os
deputados, os senadores. Não tenho que fazer a pergunta,
tenho que dizer "posso" ou "não posso". Se tiver dinheiro em
caixa, você pode. Se não tiver, você não pode", argumentou.
Em abril, Lula
reclamou de seus aliados no Senado por terem aprovado
projetos que prevêem aumento de gastos na Previdência sem
que sejam apontadas as fontes para cobrir tais despesas. Um
deles era exatamente sobre o fator previdenciário, mudando a
forma de cálculo dos benefícios da Previdência. O outro
estende a aposentados e pensionistas a política de
valorização do mínimo.
Embora Lula tenha
acenado com a possibilidade de sancionar o projeto, o
governo trabalha para tentar impedir que o texto seja
aprovado na Câmara. Isso evitaria qualquer desgaste ao
presidente. Segundo um ministro ouvido pela Folha, a posição
do governo, contrária à extinção do fator previdenciário,
não foi alterada.
Criado no governo FHC,
o fator leva em conta o tempo de contribuição, a idade no
momento do pedido de aposentadoria e a expectativa de vida
da pessoa. Na aposentadoria por tempo de contribuição (30
anos para mulheres e 35 para os homens), o fator funciona
como um redutor do benefício.
Situação na
Câmara
Na Câmara, o projeto
deve ser aprovado na Comissão de Seguridade Social e Família
assim que o Congresso voltar a trabalhar, após a eleição.
O relatório do
deputado Germano Bonow (DEM-RS), favorável ao texto já
aprovado no Senado, entrou na pauta da última reunião, no
começo deste mês. Só não foi votado porque o deputado Chico
D´Angelo (PT-RS) pediu vista, ou seja, mais tempo para
analisar a proposta.
Fonte: Folha
de S.Paulo (20.09.08)