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“Foi assustador.
Por volta da 2h, veio um estudante da
ocupação correndo, contando que a
polícia estava no campus”, conta o aluno
de 29 anos, do curso de ciências sociais
da Universidade Estadual Paulista
(Unesp) de Araraquara. “Saímos de braços
dados e encontramos um aparato militar
quase igual ao do Carandiru”, completa o
jovem que não quis se identificar.
![]() Foto divulgada por estudantes no site do Centro de Mídia Independente (Foto: Divulgação) |
A Justiça havia
determinado a reintegração do imóvel no
dia 14 de junho. A operação, que ocorreu
na madrugada desta quarta-feira (20),
por volta de 1h30, envolveu cerca de 180
policiais do 13º Batalhão da PM de
Araraquara, a 273 km de São Paulo. Não
houve registro de feridos. No entanto,
os alunos contam que ouviram ameaças e
sentiram que poderia haver violência
física.
“Vieram três ônibus de soldados, várias
viaturas e motos. Foi uma coisa
horrorosa, intimidadora. Meninas que
estavam na plenária tiveram que se
esconder”, diz o estudante.
Segundo os estudantes ouvidos pelo
G1, durante a madrugada eles
estavam reunidos discutindo o rumo do
movimento, quando foram surpreendidos
pela chegada da polícia, acompanhada
pelo diretor da unidade, Cláudio Gomide.
Uma estudante de 23 anos do curso de
ciências sociais, que participou da
negociação com a polícia, disse que a
pressão psicológica foi muito grande.
“Foi muita truculência. O policial
dizia: ‘Olha, mocinha, é bom tirar o
pessoal daí de dentro, porque senão vai
sair gente machucada’”, conta. “Pedimos
tempo para conseguir pegar nossas
coisas, mas eles não deram.”
Na correria, muitos tiveram de deixar os
objetos pessoais, colchões, cobertores e
computadores. “Não deu tempo de tirarmos
os nossos computadores e muitas coisas
ficaram por lá. Ficamos com medo”, disse
outra estudante que não quis se
identificar, nem informar qual curso
estuda.
“Pedimos a
presença da imprensa ou de professores
para garantir que a nossa integridade
física fosse preservada, mas os
policiais não autorizaram e foram nos
colocando dentro do ônibus, como
criminosos”, lembra.
A jovem afirma temer alguma punição
administrativa por parte da
universidade.
Outras quatro unidades da Unesp estão ocupadas por estudantes. São elas: Ourinhos (a 370 km da capital paulista), Rio Claro (175 km), Assis (427 km) e Franca (400 km).