Jornal da Cidade de Bauru – Opinião
06/02/2007
Universidades públicas em perigo!
A comunidade universitária tem um final e começo de ano de surpresas com o término do governo Alckmin/Lembo e início do governo Serra. Em dezembro de 2006, os deputados estaduais aprovaram, mais uma vez, o aumento de recursos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para todos os níveis de ensino: fundamental e médio, tecnológico e universitário. Porém, um dos últimos atos da gestão dos senhores Alckmin/Lembo foi vetar este aumento de investimento, demonstrando que educação, para o PSDB/PFL, é prioridade somente no momento de campanha eleitoral. Diante desse fato, a Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) e o Fórum das Seis iniciaram novamente a campanha pelo derrubada do veto ao aumento de recursos para a educação pública do Estado de São Paulo.

Neste ano, porém, esta luta terá que ser ampliada, visto que, no primeiro dia de gestão do atual governo, o sr. Serra publicou vários decretos que desarticulam os sistemas de ensino do Estado, desmembrando-os em três secretárias: Secretária da Educação (responsável pelo ensino fundamental e médio), Secretária do Desenvolvimento (responsável pelo ensino técnico e tecnológico) e Secretária do Ensino Superior (responsável pelas três universidades públicas paulistas).

Esta desarticulação, que poderia parecer um fato meramente administrativo, demonstra na prática uma política fragmentada para o sistema educacional. Política esta que não está representada apenas na redação dos decretos, mas sim nas intenções e ações que o governo iniciou já no mês de janeiro, particularmente no âmbito financeiro e de gestão: não definição de percentual na LDO para investimento na educação, contingenciamento de recursos que deveriam ser repassados às universidades, proibição de contratação de professores e funcionários e retirada da autonomia da gestão dos recursos destinados às universidades... estes são alguns exemplos do ataque à educação, principalmente em nível superior.

A resposta a esta intervenção do sr. Serra deverá ser uma reação na mesma intensidade de toda a comunidade. Assim, durante o mês de fevereiro, as assembléias que serão realizadas em todos os campi das universidades públicas paulistas estarão discutindo a possibilidade de greve contra estas medidas autoritárias do atual governo. É preciso ressaltar que nenhuma destas medidas implantadas foi discutida com a comunidade e nem com os reitores. Unesp, USP e Unicamp são referências no ensino superior em nível nacional; portanto, necessitamos iniciar a luta pela revogação dos decretos, defesa da autonomia e manutenção do modelo de universidade.


O autor, Milton Vieira do Prado Junior, é professor da Unesp-Bauru, presidente da Adunesp - Seção Sindical e Membro do Fórum das Seis